segunda-feira, 2 de setembro de 2013

ESPAÇO DA INTERPRETAÇÃO




TREM DE FERRO
01 Café com pão
02 Café com pão
03 Café com pão
04 Virgem Maria que foi isto maquinista?
05 Agora sim
06 Café com pão
07 Agora sim
08 Voa, fumaça
09 Corre, cerca
10 Ai seu foguista
11 Bota fogo
12 Na fornalha
13 Que eu preciso
14 Muita força
15 Muita força
16 Muita força
17 Oô...
18 Foge, bicho
19 Foge, povo
20 Passa ponte
21 Passa poste
22 Passa pasto
23 Passa boi
24 Passa boiada
25 Passa galho
26 De ingazeira
27 Debruçada
28 No riacho
29 Que vontade
30 De cantar!
31 Oô...
32 Quando me prendero
33 No canaviá
34 Cada pé de cana
35 Era um oficiá
36 Oô...
37 Menina bonita
38 Do vestido verde
39 Me dá tua boca
40 Para matá minha sede
41 Oô...
42 Vou mimbora 
43 vou mimbora
44 Não gosto daqui
45 Nasci no sertão
46 Sou de Ouricuri
47 Oô...
48 Vou depressa
49 Vou correndo
50 Vou na toda
51 Que só levo
52 Pouca gente
53 Pouca gente
54 Pouca gente...

01 Pelo que se pode inferir do texto, o trem viaja:
a) Do interior para uma cidade grande do litoral;
b) De uma pequena cidade do interior para outra cidadezinha do interior;
c) De uma cidade grande do litoral para outra cidade grande do litoral;
d) Na região Sudeste do Brasil;
e) Para o sertão.

02 Os três últimos versos do poema revelam que:
a) O trem é de carga, por isso leva poucos passageiros;
b) Ainda estão entrando passageiros no trem;
c) Há poucos passageiros, pois o trem se aproxima do destino final e muitos já desceram;
d) Há poucos passageiros, porque eles não desejam ir até à cidade grande;
e) Os poucos passageiros que ficaram não têm para onde ir.

03 Em “Quando me prendero no canaviá cada pé de cana era um oficiá” (versos 32, 33, 34 e 35) percebe-se que:
a) O poeta não tem preocupações com a linguagem culta, pois obrigatoriamente precisa ser contestador, já que essa é uma característica modernista;
b) O poeta não tem preocupações com a norma culta simplesmente pelo fato de desprezá-la ou desconhecê-la;
c) As transgressões à norma culta dão-se para que a representação pretendida pelo poeta do viajante do trem seja a mais fidedigna possível, inclusive no modo de falar;
d) O coloquialismo visto na linguagem é a característica mais marcante da obra de Manuel Bandeira, poeta que só aborda temáticas rurais, sobretudo na obra “Estrela da Manhã”;
e) O trecho citado é um exemplo claríssimo de linguagem erudita.

04 O verso 04 do poema revela:
a) Que o trem indubitavelmente acelerou bastante;
b) Que o trem manteve o ritmo normal;
c) Que o trem simplesmente parou;
d) Que o trem, de algum modo, alterou o ritmo da viagem;
e) Que o trem descarrilou.

Sol de Maiakóvski PARA AS QUESTÕES DE 5 A 10
Augusto de Campos. In : Despoesia.
São Paulo: Perspectiva, 1994.

05 Relendo o titulo do poema, observe no centro do mesmo: a que podem ser associadas à luz branca e a luza amarela?
a) à lua
b) ao sol
c) ao sol e aos seus raios
d) ao centro da terra
e) à terra de Maiakóvski

06 O uso das tonalidades claras e escuras das cores e a repetição do verbo BRILHAR sugerem varias coisas, menos:
a) calor
b) energia
c) brilho
d) luminosidade
e) amor


Texto 02

(...)
No coração da mata gente quer
Prosseguir
Quer durar, quer crescer,
(...)
Gente é pra brilhar,
Não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu
De anil
(...)
Trecho da musica “Gente” de Caetano Veloso

07 O verso “gente é pra brilhar” do poema anterior, se repete na letra da canção acima. É possível afirmar:
a) Em ambos os textos o verso enfatiza a ideia de que as pessoas não foram feitas para brilhar
b) Em ambos os textos o verso enfatiza a ideia de que as pessoas foram feitas para ser infelizes
c) Existe uma relação de sentido entre eles
d) O poema não possui relação com a canção de Caetano
e) NDA

08 Também é possível se verificar nos dois textos:
a) uma mesma ambientação
b) um mesmo eu lírico
c) um mesmo objetivo
d) uma forma de linguagem idêntica
e) as letras são idênticas

09 Na expressão: “Brilhar como um farol...” temos claramente a presença de
a)      Metáfora
b)      Metonímia
c)      Comparação
d)      Prosopopéia
e)      Anacoluto

10 Ao compararmos os dois textos acima promovemos o fenômeno discursivo chamado de
a)      Interdisciplinaridade
b)      Paródia
c)      Paráfrase
d)      Intertextualidade
e)      NDA



Para responder às questões leia o fragmento de conto abaixo, extraído da obra “Primeiras Estórias”, de autoria de João Guimarães Rosa:

"Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmigerado... faz-me-gerado...famisgeraldo... familhas-gerado. Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soava com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. 
Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato.  E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?
"Saiba vosmecê que saí 'ind-hoje da Serra, que vim, sem-parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de  lhe preguntar a pregunta, pelo claro...” Se sério, se era. Transiu-se-me.
"Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem tem o legitimo - o livro que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias... Só se o padre for capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam... A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?"
Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:
 -Famigerado?
 -"Sim senhor.. ." - e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador,  intimativo - apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. - Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei  os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mudos. Mas, Damásio:
-"Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. 56 vieram comigo, pra testemunho. Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.
 -Famigerado é inóxio, é "célebre", "notário", "notável”.
 -"Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: É desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsência? Nome de ofensa?"
 -Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...
 -"Pois.., e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?"
 -Famigerado? Bem. É: "importante", que merece louvor, respeito ...
 -"Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?"
 Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:
 -Olhe: eu, como o senhor me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado - bem famigerado, o mais que pudesse!...
 -"Ah, bem! .. ." - soltou, exultante....

01 O homem que foi chamado de “famigerado”, de acordo com o que se infere da leitura do fragmento textual, pode ser caracterizado principalmente como:
a) Culto;
b) Medroso;
c) Caçoável;
d) Rude;
e) Perspicaz.

02 O trecho “lhe preguntar a pregunta” aponta para um caso típico de:
a) Pleonasmo;
b) Eufemismo;
c) Metáfora;
d) Silepse;
e) Zeugma.

03 Ainda sobre o trecho “lhe preguntar a pregunta” pode-se afirmar que aponta a forte presença da linguagem:
a) Formal;
b) Erudita;
c) Coloquial;
d) Universal;
e) Gramaticalmente correta.

04 A expressão “pra mor de” traz ao contexto circunstância de:
a) Causa;
b) Conseqüência;
c) Finalidade;
d) Concessão;
e) Tempo.

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