FUTEBOL - O ÓPIO DO POVO
José Rodrigues Alves Bomfim
O futebol lamentavelmente, se tornou o ópio do povo. É a "política do pão e circo" para poder esconder os profundos problemas que a sociedade enfrenta, esquecendo por um momento os defeitos sociais e econômicos durante esse período.
A
Copa do Mundo não deixa de ser um importante evento futebolístico, entretanto
será que um país como o Brasil, com tantos problemas sociais, com tantos
desníveis socioeconômicos, com uma economia tão frágil, pode se dar o luxo de
parar em dias em que há partidas da seleção brasileira? Será que nós
brasileiros, que acompanhamos aos jogos da Copa, temos o direito de esquecer
que existe pobreza no Brasil durante os jogos de futebol?
O evento acompanhado por bilhões de pessoas em todo o mundo, consegue uma façanha que nenhuma propaganda de governo consegue fazer: o mascaramento dos problemas sociais e econômicos.
O evento acompanhado por bilhões de pessoas em todo o mundo, consegue uma façanha que nenhuma propaganda de governo consegue fazer: o mascaramento dos problemas sociais e econômicos.
Infelizmente
é isso o que ocorre a cada quatro anos. Parece que todos os problemas sociais
acabam, a miséria, a segurança, a roubalheira política...etc. É por isso que o
governo comemora, quem sabe, uma melhora nas pesquisas. Além disso, transformar
dias de jogos da seleção em feriados é certo? Só falta isso acontecer. Tem
também o recesso, concedido a políticos durante as partidas. No dia do primeiro
jogo da seleção, a Câmara e o Senado não terão expediente e será interrompido
por mais tempo. O próprio Presidente vai parar para acompanhar o evento. E
nesses dias, os hospitais, as delegacias, os bancos, supermercados, farmácias,
as conduções, as escolas. Tudo funciona precariamente. Do povo faminto,
infelizmente, nada pode ser exigido, pois o Mundial é uma das poucas alegrias,
apesar de falsa e momentânea.
A televisão, que é o mais importante meio informativo do país (ao
menos é o mais visto), manipula as notícias ainda mais, causando um
"efeito Copa", em que as pessoas priorizam os jogos de futebol. Pode
surgir sim, alguma notícia sobre o quebra-quebra no Congresso Nacional, em
Brasília, causado pelo MLST (Movimento Libertação dos Sem Terra), que logo é
sufocada por alguma notícia da concentração da seleção brasileira.
O resultado da Seleção no Mundial pode influir nas pessoas. Se
houver um resultado negativo, o país volta à realidade mais cedo. Se, pelo
contrário, vencer até o final, o resultado pode ser prolongado por mais tempo.
A situação é, no mínimo, irônica, o povo está com fome, mas ao menos está
feliz. Não há problemas se as pessoas torcem para que o time jogue bem e para
que ganhe. A felicidade reinará no território brasileiro, mas não pode
substituir condições dignas de vida. A prioridade deve ser tais condições.
01)
Segundo o autor:
a) o
futebol pode ser visto como um atraso monumental para os brasileiros
b) o
futebol ajuda no desenvolvimento brasileiro
c) é de se
esperar que o futebol faça-nos esquecer dos problemas do Brasil
d) jogar
futebol, ou assisti-lo, compromete as obrigações serias dos brasileiros
e) se não
fosse o futebol seriamos mais evoluídos
02)
Segundo o texto, o principal problema envolvendo o evento futebolístico é:
a) que os
brasileiros vão se endividar mais
b) que os
brasileiros vão parar de pensar em coisas importantes
c) não
temos uma boa seleção
d) o
presidente vai parar pra assistir as partidas de futebol
e) que
assim como o opio, o futebol pode viciar
03) Por que, segundo o tom do texto, este “evento acompanhado por bilhões de pessoas em todo o mundo,
consegue uma façanha que nenhuma propaganda de governo consegue fazer: o
mascaramento dos problemas sociais e econômicos.”?
a) porque
o governo é inútil
b) porque
o governo é irresponsável
c) porque
o governo é displicente
d) porque
a população é ignorante
e) porque
a população prefere futebol à propaganda governamental
04) no
trecho “A televisão, que é o mais importante meio informativo do país (ao menos
é o mais visto), manipula as notícias ainda mais, causando um "efeito
Copa", em que as pessoas priorizam os jogos de futebol.” O termo entre
aspas representa:
a) uma
ironia
b) uma
revolta
c) uma
dica
d) um
aviso
e) uma
crítica
05)O
resultado de nossa seleção, segundo o texto, é:
a)
influenciável, em todos os sentidos
b)
influenciador, em todos os sentidos
c)
indiferente
d)
inovador, qualquer que seja o resultado
e)
negativo
06) No
trecho “A felicidade reinará no território brasileiro,...” os termos em
destaque lembra uma figura de linguagem, pois permite a troca de uma expressão
por outra, nesse caso: A paz reinará entre os brasileiros conhecida como:
a) metáfora
b) antítese
c) comparação
d) metonímia
e) zeugma
Apaixonou-se
pela voz saída do rádio
A costureira e dona de casa
Maria Delfino Todaro viveu boa parte de sua vida com o rádio ligado, ouvindo
notícias e, antigamente, novelas. Aos 28, ela escutou pelo aparelho a voz do
futuro marido.
Na época, ela se apaixonou por
uma personagem de uma novela da Rádio São Paulo: um pianista que tocava Chopin
nos momentos de melancolia. Um dia, foi à emissora conhecer o dono da voz que
tanto a encantava.
O ator, que também dirigia
novelas e era oficial de Justiça quando não estava no ar, chamava-se Alfredo
Todaro. Apaixonaram-se ali, e apesar da diferença de 20 anos entre eles,
começaram um relacionamento que durou 52 anos.
Filha de um administrador de uma
fazenda, Maria nasceu em Indaiatuba (SP). Com 20 e poucos anos, veio a São
Paulo atrás de um emprego.
Foi costureira, apesar de o
marido não gostar que ela trabalhasse. Na cozinha, era excelente, como lembra a
filha, Cleo: o macarrão e o arroz com lentilhas que fazia eram um sucesso em
casa.
Muito séria, era chamada de
“general” pelo marido. A filha conta que a mãe, extremamente ativa, andava
rapidinho e não se sentava nem para tomar café – fazia-o em pé.
Maria nunca deixou de acompanhar
a carreira do marido. A filha do casal chegou até a virar nome de uma
personagem numa novela.
Em 1999, Alfredo morreu. No ano
seguinte, Maria teve o primeiro derrame. Ficou dez anos na cadeira de rodas. Na
segunda, não resistiu a outro derrame. Tinha 92 anos. Deixa filha, duas netas e
bisneto.
A missa de sétimo dia será hoje,
às 19h, na igreja São Domingos, em São Paulo.
BERTONI,
Estêvão. Folha de S. Paulo.
7. O texto integra o obituário do jornal Folha de S. Paulo,
uma seção referente a notícias fúnebres. Esse texto, no entanto, distancia-se
dos obituários padrões e se aproxima do gênero
(A) manchete.
(B) artigo de opinião.
(C) crônica.
(D)
romance
(E)NDA
8. Que
aspecto relativo ao conteúdo do texto favorece sua inclusão na seção de
obituários?
(A) A descrição do tempo em que Maria esteve casada com Alfredo.
(B) As informações a respeito da missa de sétimo dia, no último
parágrafo.
(C) A análise das circunstâncias em que Maria conheceu Alfredo.
(D) A notícia do primeiro derrame sofrido por Maria depois da
morte de Alfredo.
(E) NDA
9. No texto, o uso de dois pontos, no segundo e no quinto
parágrafos, contribui para
(A) causar uma ruptura na sequência das ideias.
(B) vincular elementos promotores da relação de causa e
consequência.
(C) apresentar informações caracterizadoras das personagens.
(D) introduzir textualmente a voz do locutor.
(E) NDA
10. Considerando-se o contexto, o trecho sublinhado na frase “Aos
28, ela escutou pelo aparelho a voz do futuro marido” pode ser
parafraseado por:
(A) “a voz daquele com quem ela vai se casar.”
(B) “a voz daquele com quem viria a se casar.”
(C) “a voz do homem com quem provavelmente se casaria.”
(D) “a voz
da pessoa a quem está prometida para se casar.”
(E) NDA
