quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

ARTIGO DE OPINIÃO: BALEIAS NÃO ME EMOCIONAM

BALEIAS NÃO ME EMOCIONAM,  DE LYA LUFT.

           Hoje quero falar de gente e bichos. De notícias que freqUentemente aparecem sobre baleias encalhadas e pinguins perdidos em alguma praia. Não sei se me aborrece ou me inquieta ver tantas pessoas acorrendo, torcendo, chorando, porque uma baleia morre encalhada. Mas certamente não me emociona. Sei que não vão me achar muito simpática, mas eu não sou sempre simpática. Aliás, se não gosto de grosseria nem de vulgaridade, também desconfio dos eternos bonzinhos, dos politicamente corretos, dos sempre sorridentes ou gentis. Prefiro o olho no olho, a clareza e a sinceridade – desde que não machuque só pelo prazer de magoar ou por ressentimento. Não gosto de ver bicho sofrendo: sempre curti animais, fui criada com eles. Na casa onde nasci e cresci, tive até uma coruja, chamada, sabe Deus por quê, Sebastião. Era branca, enorme, com aqueles olhos que reviravam. Fugiu da gaiola especialmente construída para ela, quase do tamanho de um pequeno quarto, e por muitos dias eu a procurei no topo das árvores, doída de saudade. Na ilha improvável que havia no mínimo lago do jardim que se estendia atrás da casa, viveu a certa altura da minha infância um casal de veadinhos, dos quais um também fugiu. O outro morreu pouco depois. Segundo o jardineiro, morreu de saudade do fujão – minha primeira visão infantil de um amor romeu-e-julieta. Tive uma gata chamada Adelaide, nome da personagem sofredora de uma novela de rádio que fazia suspirar minha avó, e que meu irmão pequeno matou (a gata), nunca entendi como – uma das primeiras tragédias de que tive conhecimento. De modo que animais fazem parte de minha história, com muitas aventuras, divertimento e alguma tristeza. Mas voltemos às baleias encalhadas: pessoas torcem as mãos, chegam máquinas variadas para içar os bichos, aplicam-se lençóis molhados, abrem-se manchetes em jornais e as televisões mostram tudo em horário nobre. O público, presente ou em casa, acompanha como se fosse alguém da família e, quando o fim chega, é lamentado quase com pêsames e oração. Confesso que não consigo me comover da mesma forma: pouca sensibilidade, uma alma de gelos nórdicos, quem sabe? Mesmo os que não me apreciam, não creiam nisso. Não é que eu ache que sofrimento de animal não valha a pena, a solidariedade, o dinheiro. Mas eu preferia que tudo isso fosse gasto com eles depois de não haver mais crianças enfiando a cara no vidro de meu carro para pedir trocados, adultos famintos dormindo em bancos de praça, famílias morando embaixo de pontes ou adolescentes morrendo drogados nas calçadas. Tenho certeza de que um mendigo morto na beira da praia causaria menos comoção do que uma baleia. Nenhum Greenpeace defensor de seres humanos se moveria. Nenhuma manchete seria estampada. Uma ambulância talvez levasse horas para chegar, o corpo coberto por um jornal, quem sabe uma vela acesa. Curiosidade, rostos virados, um sentimentozinho de culpa, possivelmente irritação: cadê as autoridades, ninguém toma providência? Diante de um morto humano, ou de um candidato a morto na calçada, a gente se protege com uma armadura. De modo que (perdão) vejo sem entusiasmo as campanhas em favor dos animais – pelo menos enquanto se deletarem tão facilmente homens e mulheres.
(Revista Veja, abril de 2005.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

UMA BOA PROPOSTA DE REDAÇÃO

OLÁ ALUNO DO ENSINO MÉDIO... AQUI VAI UMA PROPOSTA DE REDAÇÃO:



ON OU OFF?
Por Deivison Pedroza
Não é de hoje que o mundo está mudando cada vez mais rápido.
Vivemos numa era onde o que é novo agora, pode se tornar obsoleto amanhã.
Uma era onde as grandes transformações acontecem a mais de 100.000 Kbs/seg, mesmo quando estamos Off.
As mudanças climáticas estão aumentando,
E prever o futuro,
Ficou quase tão incerto,
Quanto tentar adivinhá-lo.
O trânsito está caótico,
E chegar primeiro virou mais importante que chegarmos juntos.
Não existe mais dialogo.
Buzinar virou mais importante que falar.
Estamos compartilhando individualidade ao invés de solidariedade.
Vivemos uma era
Onde vinte e quatro horas é pouco
Para respondermos todos os e-mails que recebemos.
Nossas redes sociais e nossos amigos
Agora são virtuais.
Antes,
Vivíamos conectados à terra, ao mato, ao vento, à água.
Ou simplesmente,
Às coisas que nos fazem bem.
Agora,
Apenas estamos conectados à internet.
Será que é esta a evolução da humanidade?
Aquilo que vai nos levar adiante?
On? Ou Off?
O que devemos ser?
De que lado devemos estar?
Pedir licença, por favor, falar:
Obrigado, você primeiro, me desculpe, é Off.
Dizer olá, ou às vezes não dizer nada, é On.
Prazer em reunir amigos, juntar a turma e compartilhar experiências, é Off.
Enviar mensagens prontas e curtir fotos de desconhecidos, é On.
Jogar bola, andar de skate, conhecer pessoas, se aventurar, é Off.
Viver o tempo todo dentro do escritório, e não sair do quarto...
 On? Ou Off?
De que lado você está?
Esta é uma das poucas respostas que você não vai encontrar no Google.
É preciso parar para pensar.
Afinal,
É muito difícil saber como vai ser o futuro,
Quando você não tem a menor idéia do que está acontecendo no presente.
É hora de reiniciar o seu jeito de olhar o mundo.
Que o mundo pode ser igual,
Mas diferente.
Não adianta você querer a sustentabilidade
Sem ser sustentável.
De que lado você está?
O consumo inconsciente pode ser evitado.
O que você tem demais,
Muitos ainda nem conhecem.
O desperdício deve ser combatido.
O colapso econômico do planeta
Não se resolve com a elevação das suas compras,
Mas talvez, com retorno às suas origens:
Humildes, sinceras, despretensiosas, colaborativas e auto produtivas.
On? Ou Off?
De que lado você está?
Está passando a hora de se ligar.
Plante o bem para colher o bem.
Onde se planta, tem vida.
Temos que ficar com o planeta
E respirar o mesmo ar.
Temos que deixar filhos melhores
Para que tenhamos netos melhores.
Sustentabilidade é isso.
Saber se desligar na hora certa
E respeitar o meio ambiente.
Viver em comunidade
E para a comunidade.
As melhores idéias do mundo
São as melhores idéias para o mundo.
Lembre-se! 
Não existem flores sem sementes.
O mundo está ficando carente de gentileza.
A intolerância está gerando intolerância.
Somos capazes de reclamar uns dos outros,
Mas não somos capazes de responder uma indelicadeza com um sorriso.
Se não mudarmos,
O mundo não muda.
On? Ou Off?
De que lado você está?
O mundo está mudando muito rápido.
Ou corremos agora, ou iremos correr atrás.
Conecte-se a um novo futuro para o Planeta.
Nunca deixe que ele desligue.

PARA PRATICAR...
REDIJA REDAÇÃO DISSERTATIVA-ARGUMENTATIVA COM O SEGUINTE TEMA:
“AS REDES SOCIAIS E OS DESAFIOS DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS E O CONTATO PESSOAL COM A NATUREZA”
ORIENTAÇÕES:
Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua;
Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa;
Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração;
Deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas;
Não esqueça de seguir o método: TESE-ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS-INTERVENÇÃO SOCIAL

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

INTERTEXTUALIDADE, INTERDISCURSIVIDADE E PARÓDIA

Textos "conversam" entre si

Para entender o que é o conceito de "intertextualidade", um exemplo divertido. O jogo do "não confunda":
  • Não confunda "bife à milanesa" com "bife ali na mesa",
  • Não confunda "conhaque de alcatrão" com "catraca de canhão",
  • Não confunda "força da opinião pública" com "opinião da força pública".
Como se vê, é possível elaborar um texto novo a partir de um texto já existente. É assim que os textos "conversam" entre si. É comum encontrar ecos ou referências de um texto em outro. A essa relação se dá o nome deintertextualidade.
Para entender melhor a palavra, pense em sua estrutura. O prefixo inter, de origem latina, se refere à noção de relação (entre). Logo, intertextualidade é a propriedade de textos se relacionarem.
Intertexualidade na poesia
Veja como Chico Buarque de Holanda, um dos mais importantes compositores brasileiros, utiliza a intertextualidade em uma canção sua. Em "Bom Conselho", ele faz referências a provérbios populares.

Provérbios populares
Canção de Chico Buarque
“Uma boa noite de sono combate os males”

“Quem espera sempre alcança”
“Faça o que eu digo, não faça o que eu faço"
“Pense, antes de agir”
“Devagar se vai longe”
“Quem semeia vento, colhe tempestade”
Bom Conselho
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
(Chico Buarque, 1972)

Chico Buarque inverte os provérbios, questionando-os e olhando-os sob outro ângulo, atribuindo-lhes novos sentidos.
Há vários exemplos de intertextualidade na literatura. Veja, a seguir, como Ricardo Azevedo brinca com o famoso poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade.

Quadrilha
Quadrilha da sujeira
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade)
João joga um palitinho de sorvete na
rua de Teresa que joga uma latinha de
refrigerante na rua de Raimundo que
joga um saquinho plástico na rua de
Joaquim que joga uma garrafinha
velha na rua de Lili.
Lili joga um pedacinho de isopor na
rua de João que joga uma embalagenzinha
de não sei o quê na rua de Teresa que
joga um lencinho de papel na rua de
Raimundo que joga uma tampinha de
refrigerante na rua de Joaquim que joga
um papelzinho de bala na rua de J.Pinto
Fernandes que ainda nem tinha
entrado na história.
Ricardo Azevedo (”Você Diz Que Sabe Muito, Borboleta Sabe Mais”, Fundação Cargill)

Enquanto um texto trata do amor não correspondido, por meio da comparação com uma dança (quadrilha), o outro critica o mau hábito de jogar lixo na rua - e mostra como as pessoas prejudicam as outras.

A intertexualidade também é um recurso comumente utilizado pelas crônicasde jornal. Abaixo, veja como José Roberto Torero utiliza uma frase famosa dita por um personagem de 
Shakespeare. A frase quer dizer, em poucas palavras, que há muita coisa na vida que não compreendemos.

 PARÓDIA é um tipo de intertextualidade.
http://www.alunosonline.com.br/upload/conteudo_legenda/1ae79374ffffc1856308e2d8cc1f4752.jpg
A paródia representa uma intertextualidade

A paródia é a criação de um texto a partir de um bastante conhecido, ou seja, com base em um texto consagrado alguém utiliza sua forma e rima para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico, zombeteiro ou contestador, dando um novo sentido ao texto. Parte da intertextualidade, a paródia é um intertexto, ou seja, é um texto resultante de um texto origem que pode ser escrito ou oral. Essa intertextualidade também pode ocorrer em pinturas, no jornalismo e nas publicidades.
A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, veja as várias versões da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa:


Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503.

Mona Lisa, de Marcel Duchamp, 1919.

Mona Lisa, Fernando Botero, 1978.

Mona Lisa, propaganda publicitária.

Bom, é óbvio que a intertextualidade está ligado ao "conhecimento do mundo", que deve ser compartilhado, entre os envolvidos para fazer sentido,  ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos. O diálogo entre textos pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento, não se restringindo única e exclusivamente a textos literários.

Na literatura relativa à Lingüística Textual, é freqüente apontar-se como um dos fatores de textualidade a referência - explícita ou implícita - a outros textos, tomados estes num sentido bem amplo (orais, escritos, visuais - artes plásticas, cinema - , música, propaganda etc.) A esse “diálogo”entre textos dá-se o nome de intertextualidade.

A intertextualidade pressupõe um universo cultural muito amplo e complexo, pois implica a identificação / o reconhecimento de remissões a obras ou a textos / trechos mais, ou menos conhecidos, além de exigir do interlocutor a capacidade de interpretar a função daquela citação ou alusão em questão.

Já a interdiscursividade é o conversar entre discursos. Onde um age como resposta, ou se refere a outro. Enquanto a intertextualidade é o texto produzido com base em outro(s) texto(s).

Aliás, a intertextualidade não é paródia, paródia é um tipo de intertextualidade.

Mas voltando a interdiscursividade, este é um conceito proposto por Mikhael Bakhtin sobre a relação que um texto (discurso) tem com outros textos (outros discursos). A interdiscursividade é o caráter principal do texto, já que para Bakhtin todo texto é atravessado por um outro, ou outros anteriores. Isto é, o texto sempre "fala" o que já foi falado (escrito, expresso). Para o linguista russo, portanto, nenhum discurso tem total originalidade.

A análise do discurso, antes disso, vai trabalhar a ideologia, as idéias (a visão de mundo) que o homem assimila em sua formação. Essas idéias que formam uma visão de mundo também não serão independentes. No plano da ideologia, as idéias também sofrerarão um processo parecido com a interdiscursividade, só que no pensamento. Ao expressar tais pensamentos (de forma escrita ou falada), o homem não poderá fugir de uma interdiscursividade na produção de seu discurso.

Interessante, não?

E a paródia?
Bom... paródia é uma imitação, na maioria das vezes cômica, de uma composição literária, (também existem paródias de filmes e músicas), sendo portanto, uma imitação que geralmente possui efeito cômico, utilizando a ironia e o deboche. Ela geralmente é parecida com a obra de origem, e quase sempre tem sentidos diferentes. Na literatura a paródia é um processo de intertextualização, com a finalidade de desconstruir ou reconstruir um texto.

A paródia surge a partir de uma nova interpretação, da recriação de uma obra já existente e, em geral, consagrada. Seu objetivo é adaptar a obra original a um novo contexto, passando diferentes versões para um lado mais despojado, e aproveitando o sucesso da obra original para passar um pouco de alegria.


E o que é Dialogismo?

Dialogismo é o que Mikhail Bakhtin (dá para reparar que eu gosto desse linguista?) define como o processo de interação entre textos que ocorre na polifonia; tanto na escrita como na leitura, o texto não é visto isoladamente, mas sim correlacionado com outros discursos similares e/ou próximos. Em retórica, por exemplo, é mister incluir no discurso argumentos antagônicos para poder refutá-los.

Dialogismo se da à partir da noção de recepção/compreensão de uma enunciação o qual constitui um território comum entre o locutor e o locutário. Pode se dizer que os interlocutores ao colocarem a linguagem em relação frente um a outro produzem um movimento dialógico.

Segundo Bakhtin, o diálogo pode ser definido como "toda comunicação verbal, de qualquer tipo que seja". A palavra chave da linguística bakhtiniana é diálogo.

Monte Castelo - Renato Russo - Aula sobre Intertextualidade e interdiscursividade 
O sonêto 11 de Luiz Vaz de Camões, foi adaptado musicalmente pelo grupo "Legião Urbana". Sua forma original é tirada do texto bíblico 1 Coríntios 13




Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


II Carta de São Paulo aos Corínthios, cap. 13
"Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.


Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, nada seria.


Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me fizesse escravo, para me gloriar, mas não tivesse amor, de nada me aproveitaria.


O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.


O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.


Com efeito, o nosso conhecimento é limitado, como também é limitado nosso profetizar. Mas quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.


Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então veremos face a face. Agora, conheço apenas em parte, mas, então, conhecerei completamente, como sou conhecido.


Atualmente permanecem estas três: a fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor."




Monte Castelo
(Renato Russo)
Composição: Renato Russo
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.

A Música de Renato Russo há uma relação intertextual por que há citação de trechos da Bíblia e estabelece uma relação de interdiscursividade por que  Rena to russo se apropria dos discursos camoniano e bíblico.

Os desenhos animados também são direcionados, e em alguns casos, principalmente, aos adultos. Prova disto está na utilização de obras da arte (clássica, surrealista, etc.) como elementos que compõem seus argumentos. A maioria das crianças não faz idéia da existência da "Capela Cistina"(É bem verdade que muitos adultos também estão na mesma situação!). Mas tudo isso para dizer que a intertextualidade só faz sentido e, só é percebida, quando o público e/ou audiência a que destinam-se, tem um conhecimento prévio acerca do assunto.