quarta-feira, 15 de maio de 2013

MAIS UMA LEITURA E INTERPRETAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!



FUTEBOL - O ÓPIO DO POVO
José Rodrigues Alves Bomfim

                O futebol lamentavelmente, se tornou o ópio do povo. É a "política do pão e circo" para poder esconder os profundos problemas que a sociedade enfrenta, esquecendo por um momento os defeitos sociais e econômicos durante esse período.
                A Copa do Mundo não deixa de ser um importante evento futebolístico, entretanto será que um país como o Brasil, com tantos problemas sociais, com tantos desníveis socioeconômicos, com uma economia tão frágil, pode se dar o luxo de parar em dias em que há partidas da seleção brasileira? Será que nós brasileiros, que acompanhamos aos jogos da Copa, temos o direito de esquecer que existe pobreza no Brasil durante os jogos de futebol?
                O evento acompanhado por bilhões de pessoas em todo o mundo, consegue uma façanha que nenhuma propaganda de governo consegue fazer: o mascaramento dos problemas sociais e econômicos.
                Infelizmente é isso o que ocorre a cada quatro anos. Parece que todos os problemas sociais acabam, a miséria, a segurança, a roubalheira política...etc. É por isso que o governo comemora, quem sabe, uma melhora nas pesquisas. Além disso, transformar dias de jogos da seleção em feriados é certo? Só falta isso acontecer. Tem também o recesso, concedido a políticos durante as partidas. No dia do primeiro jogo da seleção, a Câmara e o Senado não terão expediente e será interrompido por mais tempo. O próprio Presidente vai parar para acompanhar o evento. E nesses dias, os hospitais, as delegacias, os bancos, supermercados, farmácias, as conduções, as escolas. Tudo funciona precariamente. Do povo faminto, infelizmente, nada pode ser exigido, pois o Mundial é uma das poucas alegrias, apesar de falsa e momentânea.
A televisão, que é o mais importante meio informativo do país (ao menos é o mais visto), manipula as notícias ainda mais, causando um "efeito Copa", em que as pessoas priorizam os jogos de futebol. Pode surgir sim, alguma notícia sobre o quebra-quebra no Congresso Nacional, em Brasília, causado pelo MLST (Movimento Libertação dos Sem Terra), que logo é sufocada por alguma notícia da concentração da seleção brasileira.
O resultado da Seleção no Mundial pode influir nas pessoas. Se houver um resultado negativo, o país volta à realidade mais cedo. Se, pelo contrário, vencer até o final, o resultado pode ser prolongado por mais tempo. A situação é, no mínimo, irônica, o povo está com fome, mas ao menos está feliz. Não há problemas se as pessoas torcem para que o time jogue bem e para que ganhe. A felicidade reinará no território brasileiro, mas não pode substituir condições dignas de vida. A prioridade deve ser tais condições.

                   
Publicação: 
www.paralerepensar.com.br 20/06/2006

01) Segundo o autor:
a) o futebol pode ser visto como um atraso monumental para os brasileiros
b) o futebol ajuda no desenvolvimento brasileiro
c) é de se esperar que o futebol faça-nos esquecer dos problemas do Brasil
d) jogar futebol, ou assisti-lo, compromete as obrigações serias dos brasileiros
e) se não fosse o futebol seriamos mais evoluídos

02) Segundo o texto, o principal problema envolvendo o evento futebolístico é:
a) que os brasileiros vão se endividar mais
b) que os brasileiros vão parar de pensar em coisas importantes
c) não temos uma boa seleção
d) o presidente vai parar pra assistir as partidas de futebol
e) que assim como o opio, o futebol pode viciar

03) Por que, segundo o tom do texto, este “evento acompanhado por bilhões de pessoas em todo o mundo, consegue uma façanha que nenhuma propaganda de governo consegue fazer: o mascaramento dos problemas sociais e econômicos.”?
a) porque o governo é inútil
b) porque o governo é irresponsável
c) porque o governo é displicente
d) porque a população é ignorante
e) porque a população prefere futebol à propaganda governamental

04) no trecho “A televisão, que é o mais importante meio informativo do país (ao menos é o mais visto), manipula as notícias ainda mais, causando um "efeito Copa", em que as pessoas priorizam os jogos de futebol.” O termo entre aspas representa:
a) uma ironia
b) uma revolta
c) uma dica
d) um aviso
e) uma crítica

05)O resultado de nossa seleção, segundo o texto, é:
a) influenciável, em todos os sentidos
b) influenciador, em todos os sentidos
c) indiferente
d) inovador, qualquer que seja o resultado
e) negativo

06) No trecho “A felicidade reinará no território brasileiro,...” os termos em destaque lembra uma figura de linguagem, pois permite a troca de uma expressão por outra, nesse caso: A paz reinará entre os brasileiros conhecida como:
a) metáfora
b) antítese
c) comparação
d) metonímia
e) zeugma


Apaixonou-se pela voz saída do rádio

                A costureira e dona de casa Maria Delfino Todaro viveu boa parte de sua vida com o rádio ligado, ouvindo notícias e, antigamente, novelas. Aos 28, ela escutou pelo aparelho a voz do futuro marido.
                Na época, ela se apaixonou por uma personagem de uma novela da Rádio São Paulo: um pianista que tocava Chopin nos momentos de melancolia. Um dia, foi à emissora conhecer o dono da voz que tanto a encantava.
                O ator, que também dirigia novelas e era oficial de Justiça quando não estava no ar, chamava-se Alfredo Todaro. Apaixonaram-se ali, e apesar da diferença de 20 anos entre eles, começaram um relacionamento que durou 52 anos.
                Filha de um administrador de uma fazenda, Maria nasceu em Indaiatuba (SP). Com 20 e poucos anos, veio a São Paulo atrás de um emprego.
                Foi costureira, apesar de o marido não gostar que ela trabalhasse. Na cozinha, era excelente, como lembra a filha, Cleo: o macarrão e o arroz com lentilhas que fazia eram um sucesso em casa.
                Muito séria, era chamada de “general” pelo marido. A filha conta que a mãe, extremamente ativa, andava rapidinho e não se sentava nem para tomar café – fazia-o em pé.
                Maria nunca deixou de acompanhar a carreira do marido. A filha do casal chegou até a virar nome de uma personagem numa novela.
                Em 1999, Alfredo morreu. No ano seguinte, Maria teve o primeiro derrame. Ficou dez anos na cadeira de rodas. Na segunda, não resistiu a outro derrame. Tinha 92 anos. Deixa filha, duas netas e bisneto.
                A missa de sétimo dia será hoje, às 19h, na igreja São Domingos, em São Paulo.
BERTONI, Estêvão. Folha de S. Paulo.

7. O texto integra o obituário do jornal Folha de S. Paulo, uma seção referente a notícias fúnebres. Esse texto, no entanto, distancia-se dos obituários padrões e se aproxima do gênero
(A) manchete.
(B) artigo de opinião.
(C) crônica.
(D) romance
(E)NDA

8. Que aspecto relativo ao conteúdo do texto favorece sua inclusão na seção de obituários?
(A) A descrição do tempo em que Maria esteve casada com Alfredo.
(B) As informações a respeito da missa de sétimo dia, no último parágrafo.
(C) A análise das circunstâncias em que Maria conheceu Alfredo.
(D) A notícia do primeiro derrame sofrido por Maria depois da morte de Alfredo.
(E) NDA

9. No texto, o uso de dois pontos, no segundo e no quinto parágrafos, contribui para
(A) causar uma ruptura na sequência das ideias.
(B) vincular elementos promotores da relação de causa e consequência.
(C) apresentar informações caracterizadoras das personagens.
(D) introduzir textualmente a voz do locutor.
(E) NDA
10. Considerando-se o contexto, o trecho sublinhado na frase “Aos 28, ela escutou pelo aparelho a voz do futuro marido” pode ser parafraseado por:
(A) “a voz daquele com quem ela vai se casar.”
(B) “a voz daquele com quem viria a se casar.”
(C) “a voz do homem com quem provavelmente se casaria.”
(D) “a voz da pessoa a quem está prometida para se casar.”
(E) NDA

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